Futuro do Pretérito

Uma questão considerada entre as mais intrigantes pela comunidade científica é a possibilidade ou não de se viajar no tempo. Há alguns cientistas que acreditam na concretização desse sonho, outros julgam que é possível, mas não haveria condições de sobrevivermos a jornada – ou seja, uma pedra viajaria bem – e há os mais céticos que julgam qualquer tentativa impossível.

Eu não sei qual grupo tem razão, não passo de mero mortal, muitos degraus abaixo do pedestal da genialidade habitada por eles, para discutir o assunto de igual para igual, mas particularmente prefiro desacreditar na possibilidade da viagem.

Minha teoria cabe contestação, mas penso que se fosse possível viajar no tempo, porque ninguém até agora apareceu para nos ajudar a resolver muitos dos nossos problemas atuais, como a cura da AIDS, a correta utilização de nossos recursos naturais e propostas efetivas de soluções pacíficas para o Oriente Médio e demais zonas de conflito?

Além disso, se ninguém do futuro apareceu até agora, podemos imaginar três cenários: (a) realmente não é possível viajar no tempo; (b) viajar no tempo é possível, mas vivemos em uma época histórica tão sem graça para a humanidade futurista que ninguém julgou valer a pena nos visitar; (c) não teremos tempo de construir o mecanismo que viabilize semelhante viagem, tendo a humanidade sido extinta antes por qualquer razão. Assim, das três opções, prefiro acreditar na primeira.

Viagens à parte, o que eu acho mais difícil do que isso é tentarmos imaginar corretamente como será o futuro distante. Como será a vida no ano de 2300? Viajaremos pela nossa galáxia como fazia a Enterprise? E em 5800, que tipo de comida estaremos consumindo e que roupa usaremos? como se medica um resfriado? E no ano 9999, como será resolvido o bug do ano 10000?

Tarefa ingrata essa, pois quando se tenta fazer algo do tipo, em geral não se consegue ir além de misturar elementos da nossa própria época com coisas mirabolantes como voar ou atravessar paredes. Acaba virando uma espécie de mico pré-datado, que quem emitiu nem tem como saber do resultado. Exemplo disso são essas gravuras que encontrei em um dos muitos blogs que as vezes visito.

3 Respostas para “Futuro do Pretérito”

  1. Ana Suzuki Disse:

    Gostei da clareza e humildade com que você expõe suas idéias, mas gostei especialmente da expressão “seria um mico pré-datado”. Um abraço,
    Ana Suzuki

  2. juclene souza santos Disse:

    oi gostei da clareza que vc disse e da sua humildade mil beijos e ate logo.

  3. André Disse:

    Penso que como o andar da Humanidade é lento, despreocupado com as gerações posteriores e sem perspectiva de grandeza, ficaremos a ver navios pensando no futuro-que-não-chegu, pois ao invés de nos preocuparmos com o presente (nosso principalmente), muitas pessoas ainda acreditam em abstrações das quais eram dignas da Idade Média. talvez toda a consciencia evolutiva que precisamos está em nós mesmo, mas ainda digo que há pessoas 8000 a. C (tempo relativo) achando que a espécie deve ser nomade, que deve perdoar quem lhe faz mal e dizer que é feliz.
    Não estou falando de religião. O caso é de construção de uma nova mentalidade, uma consciêcia não-burra.

    A respeito do teu ponto de vista, gostei das figuras que mostram a semelhança do texto com a idéia bizarra que ainda temos (que se chama vanguarda da modernidade – uma palavra que tem que ser muito estudada)… Somos ‘designers’ por natureza e queremos apenas a sobrevivência da éspecie. Pelo menos tu és humanista e pensa no ‘futuro da Humanidade’. O ruim é quem não pensa e que ainda exerce poder.

    falou abração. Ótimo trabalho!

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